O Calango Manco abre espaço agora, para um tema que é de interesse de todos. Estamos vulneráveis a contrair o vírus da dengue a qualquer momento, em qualquer lugar, por isso, devemos estar informados e instruídos corretamente sobre como nos prevenir dessa doença que afeta milhares de pessoas. O intuito da entrevista é mostrar ao leitor um pouco da realidade dos postos de saúde, divulgar o percentual e a opinião do setor responsável pelo controle da doença na Bahia. Essa entrevista foi realizada com a coordenadora de agravos da DIVEP (Diretoria de Vigilância Epidemiológica).
Pessoa entrevistada: Maria Izabel Mota Xavier – Coordenadora de agravos (DIVEP)
Entrevistador (a): Milena Valois – Estudante de Jornalismo.
1 – Qual a principal razão para a quantidade de focos de dengue na Bahia?
R: Em primeiro lugar, existe um acordo entre os municípios e o estado. É uma atividade de competência do município cuidar dessa parte. Quando acontece mudança de governo, agentes novos são contratados e isso atrasa o processo, pois leva tempo para treiná-los. Outro fator é a educação precária da população. Muitas pessoas não permitem que os agentes entrem nas casas para realizar seu trabalho de encontrar os focos de dengue e eliminá-los. Não há garantia também, do trabalho realizado pelos agentes de saúde. Não se sabe se eles estão mesmo visitando as residências, se estão fazendo o trabalho corretamente. É preciso uma fiscalização maior.
2- As pessoas são bem informadas sobre como evitar que os focos aumentem?
R: Sim. As pessoas estão informadas sobre o problema que é a dengue, através de panfletos, propagandas na televisão, rádio, em outdoors, jornais e etc, mas mesmo assim, existe uma resistência grande por parte da população em agir de forma correta para combater e evitar a proliferação desse vírus, assim, o trabalho fica mais difícil.
3- Os postos de saúde oferecem atendimento adequado para pessoas infectadas com esse vírus?
R: O SUS vem ampliando os acessos, mas as demandas são muitas. Foram instaladas tendas de hidratação para dar assistência às pessoas infectadas. Salvador, infelizmente não tem uma boa cobertura, é preciso trabalhar “promoção e prevenção”, ou seja, é preciso estar preparado, agir antes que a doença se agrave. O maior investimento de recursos é direcionado ao combate a dengue.
4- Houve aumento ou diminuição de casos de pessoas contaminadas com o vírus da dengue do ano de 2008 para os dias atuais?
R: Aumento. O ano de 2009 foi o ano de maior incidência, por conta do novo vírus, dengue dois.
5- Quais providências estão sendo tomadas para eliminar esses focos?
R: Intensificar as visitas domiciliares. Houve deslocamento de uma equipe de agentes treinados para municípios, para ajudar no trabalho ao combate a dengue. Além disso, o uso de carros fumacê é indispensável em lugares com um nível de focos elevado. Outro método importante é o uso de larvicidas nos tanques.
6- Quais são os bairros de Salvador que apresentam maior quantidade de focos da dengue?
R: Bairros de periferia, onde a coleta é inadequada. A região do Subúrbio, o Cabula e o Itaigara são os bairros que apresentam índice de população elevado. Salvador está entre 3% e 3,5%. Abaixo de 1% é normal, acima de 1% é preocupante em relação aos focos de dengue.
Obs: Nos perídios de chuva, os focos são prejudicados, pois eles se desenvolvem no clima quente.
Obs 2: Em terreiros de candomblé, existe uma resistência grande por conta das oferendas que acumulam água, pois são consideradas sagradas. Isso faz com que os agentes sejam mais cuidadosos e saibam dialogar com essas pessoas, de que é preciso pelo menos colocar o larvicida nas oferendas, para evitar a proliferação do mosquito.

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